8 de jun de 2010

In memorian

Um sorriso tribal perpassa o ar refrigerado
da cela pretensiosamente culta.
Todas as máscaras se calam, religiosamente.
Estão há tantos anos mumificadas no acrílico,
Estão há tantos anos em processo de árdua fossilização,
Que este livre sorriso,
borboleta invisível que rasga o ambiente morto,
talvez recupere do precipício
o eco das vozes de cada uma...
Quem sabe, também, dos gritos?

Um sorriso frugal volita no ar famigerado
da sala-espaço inconsciente.
E os rostos disformes de todas as gentes
Desfazem suas inexpressões antropológicas...
Querem sentir na pele rústica de suas máscaras
O toque mínimo do musical sorriso,
Palavras e dentes que se estendem num abraço incansável, indefinível,
Como se fosse possível permanecer assim
na imensidão do vácuo.

Quem sabe este mágico instante,
Não imprima na eternidade máscaras menos rígidas,
Menos pálidas,
Sorrisos escancarados pela espontaneidade plena de ter, por um instante, vivido.

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