14 de jul de 2010

O olho que abraça


Eis o grito famigerado do olho que abraça tudo o que vê.

Não, não abraça.
Arranha, agarra, pupila injetada,
curiosa menina que ladra e que fuça,
Se aguça em azuis-castanhos,
Realidade cor de mel esverdeado...

Eis o grito famigerado que se dilata e avança.

Cores, formas,
mórbidas semelhanças entre ver e enxergar.
Que contemplar ainda está além
do que este olho-espantalho quer...
Basta que o que se veja seja apenas o que se deseja
Metáforas são sombras ou são almas?

Grito alucinado de um olho mal aberto

Tudo o que silenciosamente existe entra por este olho que se alastra e irrompe, desperto...
O que há além, detrás, por trás do horizonte?



(Imagem: cena do filme 2001: uma odisséia no espaço)

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