4 de jun de 2010

Sacrifício

Duas bruxas na areia percorrem a praia.
Não são feias nem bonitas,
são presenças.
Uma é magra,
a outra é puro pensamento.

As duas molham os pés na água fria.
Estão descalças e caminham contra o tempo.
Uma é menina,
a outra não tem dó de seus tormentos.

As ondas se quebram em suas costas.
Chicoteiam o silêncio.
As duas deixam a dor purificá-las.
Uma fugiu de um harém,
a outra não sabe de onde vem.

Olham o céu que toca o mar numa carícia horizontal.
São irmãs e mães na terra da magia.
Uma não sabe amar,
a outra conhece este mal.

Duas bruxas se atiram ao mar - fogueira d´água.
Os medos, indiferentes,
As maldições, indecentes,
Os versos, maledicentes...

Só ficam os filtros, a flutuar.

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