6 de ago de 2010

Pasto de nuvens

- I -

Uma hora de nuvens pasta por trás das grades azuis.
E eu que cheguei a esperar
que o céu fosse mais que mórbida esperança...
Espero, sonolenta, que por entre a dança do bolo de nuvens
sobre um pouco de felicidade.
Quem sabe um sorriso ou uma realidade?

- II -

E tudo aquilo que me comovia
Tudo aquilo que me alimentava
Tudo tudo
Nada nada

Imagino um esqueleto recoberto por balão
Cores jovens de jovens texturas
Cheirosa cobertura de pele e ilusão

(No final, sou apenas um esqueleto que inventou de ser balão)

- III -

Uma hora de nuvens balem por trás das grades azuis
E eu que cheguei a pastorear sonhos
apenas me curvo e me conformo.
O temporal que já caiu quer cair de novo
Tenho medo e tenho sono

Sou mortal.

- IV -

Sabe aquela sensação de precipício?
Como se no início
nada fosse mais atraente que a queda...

Uma hora de nuvens continua livre para formar
no céu o caminho por onde quero errar

E esse calor é castigo.
É temor.

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