30 de mai de 2011

Inteligência cria bomba atômica

No tablado, um corpo enorme entre correntes.
Destroçado.
Monstro torturado.
Sob a máscara de ferro
pura feiura,
olhos minúsculos, atrofiados.

Não vê?
Esse corpo que não sentes
é você.
Seu corpo e sua mente
que mantens sob correntes
só para poder dizer: sou "eu" quem estou a me comandar!

Se fosse tão bom ser esse tipo de gente
Não seria necessário transformar-se em monstro
cego, rotundo,
urro contido em máscaras e conceitos,
desfeito no conjunto mal cabido
de pensamentos
Vaidosos pensamentos que pensam ter conseguido... livrar-se de mim.

-- x --

Nino o sujeito cartesiano
Ponho o sujeito pra dormir
Vai, já vai tarde com todo o seu mau-humor de gente grande
Quero ser borboleta e dançar com o vento
Quero ser o vento e brincar de ser gente
Quem sabe... dança do ventre!
Menina travessa... índia, mãe, sereia...
Me dá a mão, vamos brincar
de roda e mandala, árvores e bichos, sonhos e fadas...
Canto de ninar...

Não quero despertar pro pesadelo
Voltar pro cativeiro
Pro tablado
Pra tortura

Dos ferros hipersimplificados
às tramas do universo organificado...
Sou sopro
Sou raio
E nunca mais, nunca mais eu volto, nunca mais eu caibo.

Quero transcender.

Um comentário:

  1. Muitos encontros, belos poemas, um lindo festival de beleza em letras, sonhos e encantos...

    Ainda estou sentindo o perfume da magiados seus poemas.

    um beijo

    voltarei sempre...

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