28 de mai de 2011

Morcegos

Morcegos rondam as sombras das sobras daquilo que foram árvores.
Árvores frondosas de sombras frondosas de frutos frondosos
-          saborosas imagens paradisíacas de encanto e satisfação.

Agora que a maldade arde num eterno entardecer,
E tudo o que se pode ver contra a luz é sombra e morte,
E agora que não há o que entrever,
Agora é que há de doer!
-          morcegos arranham o resto do tronco
e de cada corte vaza o invisível ser que já foi árvore.

A dor do tronco está na rigidez exaustiva.
A dor dos galhos, no abraço que nunca existiu.
A dor dos frutos é cair sem fecundar a boca de sabor.
E a semente dói de explodir sem saber no que vai dar.
Enquanto a raiz, ah, a dor raiz!
Está na única coisa que sempre quis... caminhar.

Inconfessável tristeza arranca da terra a planta que urra
Inconfessável tristeza levanta da terra a frágil saudação azul
E é tão difícil cercar-se de si até que a casca vire muro!
E é tão difícil ser muro e ser árvore, enfeitar e dar frutos!

Agora que a saudade é sombra sem frondosa forma,
E tudo o que se pode ver contra a luz... é tarde!,
E agora que não há o que ver,
Agora é que há de doer!
-          morcegos arranham o resto do tronco e de cada corte vaza o invisível ser que já foi árvore.

Um comentário:

  1. Nossa vc transforma em um modo de certo racional de ver a coisa junto a um utópico, me fez viajar na imaginação e pensar ao mesmo tempo uau amei nossa sem palavras...

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