28 de mai de 2011

Todos querem ser John Malkovich

Hoje acordei num quarto que não era meu, num corpo que não era meu, e por mais que eu tentasse e apertasse os olhos, não conseguia voltar. Não era manhã, como então devia ser no meu quarto; nem era outono, pois este outro corpo não sentia frio. Ele simplesmente observava o teto, lendo sutis rachaduras e manchas úmidas como se pudesse extrair dali alguma coisa, música ou poesia. Na rua daquela tarde morna, um moroso vendedor de melancias passava barulhento. E eu, como puro pensamento, desejei de fato estar naquela lembrança alheia só para sentir o vento artificial que o velho ventilador despejava a cada "não" que fazia com sua cabeça...
Acordei como homem e estranha sensação de prazer fez com que percorresse aquelas mãos por aquele corpo... Freud dizia que seduzir é buscar o eu no outro. E eu estava ali, no outro tão desconhecido e ao mesmo tempo, tão eu!, sem saber se deveria fechar meus olhos e me entregar...
- Neste mórbido instante, algo catapultou-me para fora daquela lembrança alheia. Mãe que chama, cachorro que late, despertador que...? Não sei, não sei, que merda!
Talvez durante o sono eu tenha encontrado a porta-anã para a mente de meu próprio John Malkovich (referência ao filme TODOS QUEREM SER JOHN MALKOVICH).

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