Irinéa

Irinéa Drago do Nascimento, irmã de Solina, nasceu em Belém do Pará, em 8 de fevereiro de 1925. Apaixonou-se e casou-se com o marinheiro Odilon Monteiro, paulista, com quem teve duas filhas: Célia e Márcia.

Não poderia ser diferente: alguém que é irmã do sol e tem, no nome, todas as cores do arco-íris... só poderia dar à luz o céu, o mar e algumas poesias.

Derivamos de tua luz, vovó!

E, em reconhecimento à pessoa extraordinária que é, esteja onde estiver, não poderíamos deixar de homenageá-la neste nosso cantinho...

Seguem, publicadas, algumas de tuas poesias!






Polim
A vida é mesmo assim
cheia de altos e baixos
Cresceste no meio da garotada,
com carinhos da moçada.
Agora estás só,
Deitado no quintal, na sombra,
E às vezes no sol,
com os olhos fitos no portão,
a espera de alguém.
Sei que és vivente.
Por isso, tens coração.
Como eu, também sentes
tristeza e solidão.
Ficamos juntos o dia inteiro,
és o meu fiel companheiro.
Tu me escutas quando falo.
Tu me olhas quando trabalho.
Quando pego na vassoura,
vens correndo para agarrá-la
como se quisesse dizer:
- Deixe, mamãe, que eu varro.
Quando vou fazer compras
tu me olhas na roupa e no sapato.
Sabes que não vou passear,
por isso não te importas.
Quando volto,
vens correndo me encontrar,
querendo me ajudar.
Te penduras na sacola
como se quisesse dizer:
- Deixe, mamãe, eu levo pra senhora.
A vida é mesmo assim.
Devemos nos acostumar
seja ela como for.
Um bife bem grande vou fazer
para nos satisfazer.
Temos carência de amor.
(1975)


Como ferro automático
vou levando minha vida
Quando esquento minha mente
automaticamente ela desliga

Ela não deixa torrar
o meu velho coração
Como é que eu iria ficar
perante a nova geração
Dizer que foi um curto-circuito
de um fio de alta tensão?


Para minha filha Márcia

Me disseste que não queres envelhecer.
Mas como!
Se eu ainda quero viver
Deixes primeiro que eu morra
para poderes morrer.

Não suportaria a tua morte
Seria também a minha
Que seria de minha sorte
Velhinha com muitos netinhos

A nossa vida é como se fosse
a chama de uma vela
Que num só assopro
a vida se apaga como ela

Viva intensamente a vida, querida
Porque ela é tão bela!
Não importa que sejamos esquecidas
Não importa que fiquemos velhas

O que importa é que vivamos
neste mundo que é um jardim
Aspirando os perfumes
das rosas e dos jasmins.


Márcia,

Há 18 anos passados
eras uma criança de olhos grandes e tristes
Como se em tua mente já existisse
O senso da responsabilidade...!

Crescestes observando a tudo
Te aprimorastes nos estudos
demonstrando, assim, a tua personalidade

És menina mas mulher completa
Estou orgulhosa de ser tua mãe
Será que árvore ruim dá bons frutos?

Só sei dizer que em caminhos retos
andam os justos.
Disso estou certa

Tua bondade deve ser enaltecida
És na verdade a vida
Desta que te deu a vida...
Tua mãe!
(1975)


Célia Regina
Teu nome é inspiração divina
quer dizer: Rainha do Céu
És a benção de Deus
És o perdão dos meus pecados
És a luz dos olhos meus.

Minha filha
por ti Deus me fez maravilha
Fazendo-me mãe e rainha do lar
Em tão alto pedestal estou
Reinando essa grande amor
O amor mais puro e belo
que ninguém pode roubar
O amor materno

Nasceste na primavera
és a primavera em flor
Exalando o aroma
Que enche todo o meu peito
És o amor perfeito
Que venero e que respeito
Como flor e como amor

És do signo de balança
És minha vida
És minha esperança
De ti tudo espero!...
Se houver tempestade na minha vida
És a bonança
Para o teu coração criança
Eis o meu coração materno

Com benção de Deus e da virgem Maria
Te abençôo neste grande dia
Dia de teu aniversário
Que Deus te guie e te proteja
Ilumine teus caminhos
Que só de amor e carinho
Seja a tua cruz que carregues até o calvário.


Américo,
És meu genro muito querido
De minha filha és marido
És um menino de respeito
Te observo e não encontro defeito
Portanto és um menino perfeito

Nascestes para minha filha
És de boa família
Isso não posso negar
És laço de fita
da santinha do meu altar (Marcia)
que os fiéis se ajoelham
para as suas pontas beijar

Sem querer levar em conta
quantas vezes segurei as pontas
quantos galhos já quebrei
Se ainda não tivesses casado
Teriam meus dedos queimado
pelas velas que segurei
(1976)


Cíntia, minha neta querida
que sempre ri, nunca chora
Parabéns pelos seus um ano e meio de vida
Nove meses lá dentro,
Nove meses aqui fora.
(1978)







Sandra:
Não pensei que teu nome
te desse tanta fome
e vontade de mamar.
Toda vez que te vejo
estaes no peito, ou na chuca
tomando leite, tomando água
ou tomando chá.
Sandra Regina
Assim, logo vaes crescer
E dirás como a Cíntia Regina Dal Bello
- Mamãe, eu quero ver como é que canta o chinelo! (1980)
Cheguei!
Todo mundo me esperava!
Porque para nascer
tive o dia e a hora marcada
A medicina está adiantada
A gente nasce quando quer
E também já se sabe
Se é homem ou mulher
Antes de nascer...
Já me chamavam de André! (1982)



Mana,
Nossas filhas casaram
As festas de fim de ano acabaram
Mas a vida continua...
No meu cotidiano
Sou um farrapo humano
que cada vez se anula
Com o passar do tempo
Não tive sequer um momento
de chegar a pensar nisso...
que tudo o que fiz valeu
Mas teve alguém que percebeu
que eu tinha virado lixo


Sandra no colo da mãe Márcia. Cíntia no colo da vó Irinéa.
(1981)